dois desconhecidos sentam-se
lado a lado
no balcão de um bar pouco movimentado.
"não costumava ser assim, sabe", disse o primeiro,
"mas desde que aquele pub moderno abriu ali
na esquina
quase ninguém vem para cá."
o segundo acena e volta a se concentrar na bebida,
no futebol passando na televisão,
no barulho dos carros do lado de fora.
o segundo desconhecido só quer esquecer-se do dia.
da briga com a esposa logo de manhã,
de ver seus trigêmeos chorando enquanto acenavam para ele,
dentro do carro da mãe,
a caminho da escola;
dos estresses no trabalho,
do smoothie que deixou cair no terno na pausa para o café,
no finalzinho da tarde.
ele não conseguiu se focar na reunião com a companhia da capital.
só conseguia pensar em sua mulher,
nos insultos,
no inferno em que estavam colocando os filhos.
deus, onde ele estava com a cabeça?