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Só pra sair um pouco da rotina

No lugar deste post de hoje, eu poderia postar um texto inédito de um outro blog meu que faliu ou até mesmo criar algum paragráfo que a meu ver ficasse apresentável, mas decidi que não quero. Eu também poderia escrever alguma coisa não-ficcional, como por exemplo: "Minha síndrome Peter Pan de não querer mais fazer aniversários", mas deixarei isso para depois. Talvez tu devas parar de ler este post por aqui pois vou apresentar três bandas >brasileiras< que admiro muito. Então, se tu quiseres se retirar, tudo bem, vou entender, mas em caso contrário, sinta-se à la volonté para ter uma ligeira viagem em meu gosto musical.

Cebolinha com seus planos infalíveis ia me ensinar a ser

Era uma vez uma menina que não tinha propósito para a vida. Contentava-se em existir, não em viver. Já que se ela fosse americana, pegaria uma pistola e a cabeça, ia perder a razão; mataria quinze na escola, estouraria a cachola e apareceria na televisão. Mas não. O destino quis que fosse mais uma brasileira, com o jeito insistente de sempre terminar tudo o que começa, mesmo que seja desleixado; teimosa, esperançosa, orgulhosa de ser pentacampeã. No fundo, não se importava. Às vezes, na maioria delas, só queria correr e fazer uma casinha de madeira num campo com vacas malhadas, céu azul, nuvens e um riachinho bom de se nadar. Em outras, se contentava em dormir.

Gostava de acordar cedo, de beber chocolate quente pela manhã e comer pães recheados caseiros. De se trancar no banheiro e cantar silenciosamente em frente ao espelho, fingindo ser uma vocalista famosíssima. Coçava-se quando estava nervosa e sorria na maior facilidade. Sua vida era uma rotina minuciosamente planejada com dias e dias de antecedência até chegar no lenga-lenga que vivia atualmente. Adorava. Sorria contente consigo mesma sempre que percebia que estava fazendo as coisas nas horas marcadas e combinadas.

Sabia que a vida era dura e que tudo era questão de se acostumar. Coragem, finura e jogo de cintura – fácil, fácil, fácil de se aprender de bar em bar. No final da história, tinha sido só mais uma que soube aproveitar a vida nos mínimos detalhes e se deliciar a cada segundo. Foi feliz.