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Poema 10.4

eu estou sentindo
o vazio e o eco
do que é sentir demais.

eu estou vivendo
o desânimo e o ócio
do que é possibilitar-se demasiadamente.

(eu estou
tentando
existir.)

Poema 10.3

é tão fácil tu te esqueceres de um rosto
quando tu não consegues nomeá-lo.
vejo-te em todos os lugares
e desejo que eu não soubesse o teu nome.

Poema 10.2

nada além de bolotas de poeira
nada além de bolotas de
nada além de bolotas
nada além de
nada além
nada.

Poema 10.1

o tictac nunca saiu dos relógios.
ele está dentro de mim,
medindo o tempo em um compasso inaudível.

e a cada vez que sinto o meu coração
esmurrar o meu peito
sei que mais um minuto se passou
(implorando para
a bateria
se esgotar).