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Folhas caídas no chão

Percebeu que estava vivo, mas que já não queria viver. As texturas antigas ainda o agradavam, mas não como as novas, que aparentavam criar linhas imaginárias e guiá-lo a lugares diferentes e novos, agradáveis talvez, imaginários ou não. O mundo girava e ele mal percebia. Porque não gostava de mudanças, o novo quase nunca o agradava. Quase.

Saiu em busca de algo que sempre sonhara em procurar. Deparou-se com um labirinto, com o mais eclético. Nunca pensou que o tudo pudesse se misturar com o nada com tanta facilidade como presenciou ali. Mordeu o indicador, hesitou por onde ir e acabou ficando parado na sombra. Recostou-se a uma parede gelada, que surgira a pouco, e olhou, sonolento, o giro da roda gigante, no meio de tudo aquilo; talvez fosse seu objetivo desde o começo. 

Só assim percebeu que tudo não passava de um sonho. Um sonho no próprio subconsciente, onde o objetivo era achar a essência de si mesmo, há tanto perdida. O movimento do brinquedo se tornou mais rápido, perigoso. E entendeu. A vida era quase como roda gigante. Um dia estava em cima, outro embaixo, vagarosa, audaciosa. Tudo uma questão de ponto de vista e essência. Quando tornou a abrir os olhos, seguiu a vida, tranquilo. Só viveu.

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