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Cebolinha com seus planos infalíveis ia me ensinar a ser

Era uma vez uma menina que não tinha propósito para a vida. Contentava-se em existir, não em viver. Já que se ela fosse americana, pegaria uma pistola e a cabeça, ia perder a razão; mataria quinze na escola, estouraria a cachola e apareceria na televisão. Mas não. O destino quis que fosse mais uma brasileira, com o jeito insistente de sempre terminar tudo o que começa, mesmo que seja desleixado; teimosa, esperançosa, orgulhosa de ser pentacampeã. No fundo, não se importava. Às vezes, na maioria delas, só queria correr e fazer uma casinha de madeira num campo com vacas malhadas, céu azul, nuvens e um riachinho bom de se nadar. Em outras, se contentava em dormir.

Gostava de acordar cedo, de beber chocolate quente pela manhã e comer pães recheados caseiros. De se trancar no banheiro e cantar silenciosamente em frente ao espelho, fingindo ser uma vocalista famosíssima. Coçava-se quando estava nervosa e sorria na maior facilidade. Sua vida era uma rotina minuciosamente planejada com dias e dias de antecedência até chegar no lenga-lenga que vivia atualmente. Adorava. Sorria contente consigo mesma sempre que percebia que estava fazendo as coisas nas horas marcadas e combinadas.

Sabia que a vida era dura e que tudo era questão de se acostumar. Coragem, finura e jogo de cintura – fácil, fácil, fácil de se aprender de bar em bar. No final da história, tinha sido só mais uma que soube aproveitar a vida nos mínimos detalhes e se deliciar a cada segundo. Foi feliz. 

3 comentários:

  1. Mari, que texto feliz! KASDKAÇLDKASD OK, sei que pe estranho, mas imaginei de um modo tão... alegre, e fiquei rindo aqui enquanto lia, vi todas as cenas passarem diante dos meus olhos, numa matilda super simples, do jeito que eu gosto. O riachinho, o cantarolar no banho, a inquietação e até mesmo aquela paz de leve, tão bom... Eu gostei tanto dele, o tipo de texto que me faz ir pra personagem sabe?
    Continua!

    Ps: Feliz 2012, Mari! Acho que tô de férias, não sei porque tô falando isso, mas creio que você acompanhou meu desespero e sabe o que isso significa pra mim, embora eu não esteja me sentindo de férias... Sei lá, como se a qualquer momento eu tivesse de voltar pra lá e começar tudo outra vez. Meio estranho, mas acho que dá pra conviver. Beijo!

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  2. Eu estava realmente mal. Tanto por coisas que me disseram, tanto pelo que minha mente estava remoendo. Mas, quando eu li isso, é como se tudo pudesse ir embora livremente de meu coração. Estava bem de novo. Porque é na felicidade que se encontra a alegria. Então, muito obrigada. Mesmo.

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