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Como se fosse possível

Cresceu criticando as drogas e também os cortes de cabelos femininos não tão femininos assim, segundo uma padronização ridícula imposta pelos ditadores daquela coisa sombria chamada moda. E prometeu para si mesma: sexo só depois do casamento. Era adorável, aquela menina de nome incomum. Tinha tanto, mas tanto futuro pela frente. Uma mente brilhante, um caráter admirável, ligeiro orgulho. Legal foi que o tempo passou e ela acabou perdendo a tão preservada virtude com o primeiro namorado, num deslize de entusiasmo, já dizia ela. Pouco tempo depois experimentou a nicotina e acabou viciando no tão evitado cigarro. Abandonou a escola, os amigos e a família ao testemunhar sua própria gravidez. Desistiu completamente da ditadura do certo e do errado e virou mais uma rebelde sem causa. Fugiu de casa sem dizer pra onde ia, sem deixar carta de despedida. Adotou um estilo de corte de cabelo militar. Se viu sozinha. Sentiu medo. E saudade de sua antiga vida - sim, ela era medíocre; mas era feliz, feliz demais. Sentiu remorso de si mesma ao ver a que ponto havia chegado. Depois de tudo que prometi quando era criança, depois de tanto ajeitar meu futuro, com tanto zelo... E seus antigos conhecidos apenas sentiam pena. Só isso. Ela mesma havia escolhido a rota a traçar a seguir. Apenas por ver tanto potencial desperdiçado. A menina tão estimada e talentosa faleceu na sarjeta dias depois. Uma onda de vazia se apossou daqueles que a amavam. E pensar que tudo isto aconteceu apenas porque ela tentou prever o futuro...

Um comentário:

  1. QUE MASSA! KLAÇSKDAÇSDKSÇALDK
    Sério, Mari, que saudade dos teus textos, ahhh. Até porque boa parte deles me lembram o tempo em que eu ficava na mordomia aqui em casa, lendo pra me acabar, sem tantos trabalhos, provas, provas, feiras, e todas essas coisinhas que vão desgastando sabe? Mari, que texto, sei lá, maravilhoso de ler, sério, eu vi tanta gente nele, tanta gente caindo com os próprios pés e se deixando ficar no chão sabe? E o teu jeito de dar rumo ao texto, foi lindo, cheio de palavras fortes, de uma realidade dura... E aí você o finaliza assim, de um jeito que me pôs um "PQP" doido pra pular da boca. Vou ler o de baixo, beijo. :*

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